Vírus atacam plantações de mamão no Espírito Santo

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Foto: Revista Procampo

Os produtores de mamão do Estado estão em alerta para duas doenças já conhecidas por eles: a meleira e o mosaico. Isso ocorre porque a área que é infectada por elas precisa ser eliminada. Há casos, no Espírito Santo, em que foi preciso cortar 40% do plantio.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), Rodrigo Martins, as plantações de Linhares e Sooretama são as mais prejudicadas, mas também há alguns pontos em Aracruz e Montanha.

A meleira e o mosaico do mamoeiro são doenças que vivem em permanente controle porque ainda não existe um remédio que acabe com elas. Como têm fácil transmissão, podendo ser carregada por pássaros e mosquitos de uma planta doente para uma saudável, a infestação acaba ocorrendo de forma rápida.

Segundo o subgerente de Defesa Sanitária Vegetal do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), Mateus Eckel, no ano passado, 167 propriedades do Estado sofreram com a meleira. Apenas em Linhares, foram registrados 64 casos da doença.

“Foram erradicados 366 dos 11.200 hectares área de plantada inspecionadas no Espírito Santo em 2018 devido a essa doença. Esse número não contabiliza quando o produtor elimina a área por iniciativa própria”, explica.

O produtor Bruno Roza Pessotti, 42 anos, está cortando de 420 a 480 plantas por dia para que a meleira não progrida na plantação. “Tenho um plantio com 72 hectares e 140 mil plantas. Muitas delas estão em uma idade que tem uma facilidade maior de ser atingida pela doença”, comenta.

Segundo ele, o mamoeiro começa a produzir a partir do nono mês de plantio. Depois desse período, continua a dar frutos por mais 15 a 18 meses. A meleira começa a aparecer, na maioria dos casos, a partir do décimo mês de frutificação

Redução

Por ano, o país produz aproximadamente 1 milhão de toneladas de mamão, segundo o Censo 2017 do IBGE. Desse total, 317,7 mil toneladas são colhidos no Espírito Santo.

O presidente da Brapex aponta que a expectativa é de que neste e no próximo mês a oferta de mamão no mercado diminua. Segundo ele, haverá uma falta principalmente do papaya, mas o formosa também deve ser atingido, o que deve refletir em aumento no preço do fruto.

“Neste primeiro semestre, estamos vendo uma produção pequena e os frutos também estão menores. Isso devido à incidência do mosaico e da meleira que atingem a qualidade do mamão. No início do ano, na época da florada do mamão, tivemos problema com as altas temperaturas e a falta de chuva. Isso fez com que muitas flores não vingassem e as que evoluíram tiveram frutos menores”, relata Rodrigo.

As doenças

Mosaico

O mosaico ou mancha anelar é uma doença que pode limitar o crescimento dos mamoeiros. As folhas da planta ficam amareladas e, depois, apresentam um aspecto semelhante a um mosaico. Os frutos não crescem e também podem ficar manchados.

Meleira

A meleira causa o escorrimento natural de látex com consistência bem fluida dos frutos, além de provocar manchas claras na casca. Além disso, a consistência e o sabor dos frutos se alteram.

Cuidados

Propagação

Essas doenças se espalham de maneira muito semelhante. Uma ave ou inseto leva a doença de uma planta infectada para uma sadia.

Eliminação

A única forma de evitar que elas se espalhem é cortando as plantas doentes.

Controle 

A melhor forma de fazer com que a doença não atinja toda a plantação é monitorar o plantio. Se houver sinais, a indicação é eliminar a planta. (Gazeta Online/Incaper)

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