Diretor da SNA analisa riscos nas exportações diante de greves que afetam o agronegócio

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Márcio Sette Fortes, diretor da SNA, afirma que “critérios como preço, qualidade e confiabilidade na entrega são fundamentais no relacionamento com os importadores”. Foto: SNA


 

Greves como a recente paralisação dos caminhoneiros, que segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) gerou prejuízos de mais de R$ 5 bilhões ao setor agropecuário, podem oferecer riscos para o exportador . É o que afirma o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e professor do IBMEC Márcio Sette Fortes.

 

Segundo ele, “o período de duração da greve dos caminhoneiros, a despeito de certos prejuízos nas exportações, não ofendeu gravemente a capacidade de fornecimento ao exterior. Entretanto, deixou importadores em alerta pelo mundo”.

 

O diretor da SNA salientou que, na cadeia de fornecimento internacional, compradores dos mais diversos segmentos do agro brasileiro questionaram, de imediato, a capacidade de manutenção dos fluxos de fornecimento por parte dos produtores brasileiros.

 

CREDIBILIDADE

“Nas operações de compra e venda internacional, a confiança é elemento fundamental no negócio. Nas aquisições de gêneros alimentícios, a questão é ainda mais sensível, por embutir riscos associados à segurança alimentar”, lembra Fortes.

 

No entanto, ele garante que a credibilidade do produtor brasileiro não chegou a ser posta de lado. “Isso abriria caminho para outros fornecedores se apropriarem dos canais de venda. O que pesa a favor do Brasil, para alguns produtos, são os volumes produzidos”, afirma o economista.

 

“Para a soja, por exemplo, poucos teriam a capacidade de substituir integralmente o produto brasileiro nos canais logísticos internacionais”.

 

Porém, o diretor da SNA reforça que “qualquer exportador experiente sabe que tão importante quanto abrir mercados é mantê-los. Para isso, critérios como preço, qualidade e confiabilidade na entrega são fundamentais no relacionamento com os importadores”.

 

Pesquisas realizadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), indicam que as vendas externas do agro brasileiro continuaram a se expandir, mesmo diante de um cenário turbulento nas relações internacionais no início do ano.

 

AJUSTES

 

No mercado de frangos, em razão da greve dos caminhoneiros, o setor experimentou o abate de milhões de pintos e matrizes já prontas para o corte, por falta de ração.

 

Fortes acredita que esse mercado viverá um período de ajustes na oferta do frango adulto pronto para o abate, o que poderá pressionar os preços para cima, bem como a consequente competitividade do produto.

 

“Como milhares de ovos fecundados também foram descartados, para não tornar ainda maior a demanda pela ração, então escassa, a questão a se pensar, agora, é o tempo necessário para a reposição do estoque de animais vivos”, destaca o economista.

 

Para ele, a estimativa de tempo feita pelos produtores, entre um e dois meses, “acende um alerta quanto ao preço de uma proteína animal que costuma tradicionalmente ser mais barata”.

 

BEM-ESTAR ANIMAL

 

Nesse contexto, outro fator que, segundo Fortes, pode significar risco em se tratando de vendas externas são as normas de bem-estar animal.

 

O capítulo 7.3 do Código Sanitário de Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) determina que “o tempo que os animais passam viajando deverá ser o mais curto possível”.

 

Já o capítulo 7.10 prevê que “os frangos não devem ser submetidos a um período excessivo de jejum antes do horário previsto para o abate”. Neste caso, é preciso regularizar a dieta antes de abater o animal para o consumo humano.

 

“É mister considerar que o importador é exigente quanto à qualidade daquilo que consome”, conclui Fortes.

 

fonte: SNA.AGR

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