Qualidade média do café colhido ficou abaixo do usual de cada região

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Foto: Divulgação

A guerra comercial entre os EUA e a China continua avançando e ameaçando o crescimento global, com muitas empresas ao redor do mundo adiando investimentos como reação à crescente incerteza política. Esta semana, o Fed, banco central americano, que enfrenta crítica persistente do presidente Trump por não agir mais agressivamente para reduzir as taxas de juros, sinalizou corte nos juros americanos em setembro, fazendo frente ao cenário de desaquecimento nos investimentos. Essa sinalização e o avanço na tramitação da reforma da Previdência no Senado Federal derrubaram a cotação do dólar frente ao real esta semana. Nestes cinco dias, a moeda americana oscilou bastante frente ao real e fecha hoje com mais de 1% de baixa em relação ao encerramento de sexta-feira passada, interrompendo sete semanas seguidas de escalada frente à nossa moeda.

A oscilação forte do dólar frente ao real refletiu no dia a dia das cotações do café na ICE em Nova Iorque. Os contratos oscilaram bastante no decorrer da semana e os com vencimento em dezembro próximo fecharam hoje com 165 pontos de alta. No balanço da semana, a alta nos contratos para dezembro foi de apenas 20 pontos. Os bons volumes embarcados pelo Brasil neste início do ano-safra brasileiro 2019/2020 e a elevação pela Organização Internacional do Café (OIC) da estimativa de superávit na oferta mundial de café no ano-safra 2018/2019, reforçando o sentimento dos operadores de abastecimento folgado, frearam uma reação maior nos preços em Nova Iorque ante o enfraquecimento do dólar frente ao real.

O mercado físico brasileiro continuou apresentando um volume de negócios fechados abaixo do usual para esta época de entrada de safra. Os preços são considerados baixos pela grande maioria dos cafeicultores, que mostram bastante preocupação com os prejuízos que acumularão se venderem a safra atual nas bases oferecidas pelos compradores. Os negócios que vão sendo fechados são sempre para fazer “caixa” e cumprir os compromissos mais próximos. Quando saem negócios maiores, são entre cooperativas, ou uma cooperativa vendendo um lote de melhor qualidade para um exportador a preços acima das bases normais divulgadas pelo mercado.

Como temos relatado, terminada a colheita da safra atual, de ciclo baixo, confirmou-se o quadro que já era desenhado por cafeicultores e agrônomos. A colheita ficou abaixo do inicialmente estimado e a qualidade média do café colhido mostrou-se abaixo do usual de cada região. As várias floradas, o clima e as chuvas irregulares levaram a esse resultado.

Somam-se a esse resultado ruim os primeiros problemas climáticos na formação da próxima safra 2020/2021. Os cafeicultores já dão como certo que a próxima safra, de ciclo alto, não fará um novo recorde com números acima da safra passada 2018/2019. Começam a trabalhar com a perspectiva de uma safra menor que a 2018/2019 e também de pior qualidade média.

Na última segunda-feira, 2 de setembro, o Conselho Nacional do Café (CNC) realizou uma reunião de alinhamento com a Comissão Nacional do Café, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar do Café, na sede da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), no Sul de Minas Gerais. A principal decisão do encontro foi a definição pela recriação do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), mantendo a estrutura do colegiado conforme sua disposição anterior.

Até dia 4, os embarques de agosto estavam em 2.188.446 sacas de café arábica, 301.158 sacas de café conilon, mais 290.587 sacas de café solúvel, totalizando 2.780.191 sacas embarcadas, contra 3.160.274 sacas no mesmo dia de julho. Até o mesmo dia 4, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 3.615.763 sacas, contra 3.415.715 sacas no mesmo dia do mês anterior.

Até dia 5, os embarques de setembro estavam em 69.676 sacas de café arábica, 7333 sacas de café conilon, mais 914 sacas de café solúvel, totalizando 77.923 sacas embarcadas, contra 68.708 sacas no mesmo dia de agosto. Até o mesmo dia 5, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 450.276 sacas, contra 626.488 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque (ICE) do fechamento do dia 30, sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 5, subiu, nos contratos para entrega em dezembro próximo, 20 pontos ou US$ 0,26 (R$ 1,06) por saca. Em reais, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam, no dia 30, a R$ 530,64 por saca, e hoje, dia 6, a R$ 523,78. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em dezembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 165 pontos. (Café Point)

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