Defensivos Agrícolas – mitos e verdades

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Foto: Divulgação

O tema agrotóxicos ou defensivos agrícolas é geralmente abordado pela mídia e opositores ao Agro de forma pejorativa, distorcendo os dados reais e deixando pesar o viés ideológico.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do ES (FAES), Júlio Rocha, destaca que dentre 14 países principais produtores de alimentos, o Brasil figura em 11º lugar como o que menos consome defensivos.

Abaixo, segue um conjunto de informações relevantes sobre o uso de defensivos na produção agrícola e o posicionamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo sobre questões relacionadas a esse tema.

“O objetivo é esclarecer e desmitificar a abordagem que afeta negativamente o Agro brasileiro”, complementa Júlio Rocha.

1 – Quanto tempo um novo produto leva para ser aprovado e registrado no Brasil? E nos Estados Unidos? E na Europa?

No Brasil, a fila existente impõe um prazo de 8 a 10 anos para um registro. Essa conta é simples, verifica-se o número de processos na fila e o número de processos concluídos no ano anterior e faz a conta de quantos anos o último processo da fila está distante de sua análise. Por exemplo, uma fila com 1.200 processos e uma finalização de 120 processos por ano, indica a previsão de 10 anos para que o último processo da fila seja analisado. E uma situação semelhante à que ocorre no Brasil nos últimos anos. Quem protocolizar um processo hoje terá o resultado em 10 anos.

No Canadá, o registro de um produto baseado em molécula nova leva um tempo de 24 meses. O registro de um similar, desde que não envolva problemas com sigilo de dados, é sempre um processo objetivo, com prazo de 12 a 15 meses. Nos EUA, o prazo de registro para produto com molécula nova não é superior a 2 ou 3 anos, e para produto similar o tempo de registro é de 12 a 18 meses. Na Europa não é diferente.

2 – Qual a quantidade de agrotóxicos/defensivos agrícolas utilizados anualmente no Brasil, em volume?

Considerando dados da FAO, o Brasil utilizou em 2014 (ano que o cadastro da FAO está com mais dados disponíveis) 4,07 kg de ingrediente ativo por hectare. Cabe observar que no Brasil, onde se pratica uma agricultura tropical, não contamos com o período de inverno para interromper o ciclo das pragas. Assim, o agricultor brasileiro utiliza os pesticidas de forma muito parcimoniosa, principalmente quando comparado a outros países, conforme figura abaixo.

3 – Segundo estatísticas da Abrasco e Fiocruz relativas a 2013, dividindo-se a quantidade de agrotóxicos/defensivos agrícolas utilizada no Brasil pela população teríamos 7,3 litros de agrotóxicos/defensivos agrícolas por habitante. Esses dados são verdadeiros?

Esses dados não representam a realidade brasileira. Esses argumentos são utilizados geralmente por ativistas e são repetidos seguidamente sem um mínimo de responsabilidade. Primeiro cabe observar que esses produtos não são feitos para o consumo humano, eles são utilizados nas lavouras para os fins de combate a pragas, doenças e plantas daninhas, também é utilizado nas residências para combater mosquitos e baratas. Como demonstra o banco de dados da FAO, o agricultor brasileiro utiliza os pesticidas em menor quantidade por hectare do que grande parte dos agricultores do mundo. O agricultor brasileiro não é irresponsável. Além disso, quanto mais o agricultor gastar dinheiro com esse insumo, mas a margem de renda dele diminui. Logo, o interesse do produtor é utilizar em menor quantidade quanto for possível.

Ademais, o Brasil é grande exportador de produtos do agro, o que já derruba o cálculo por habitante ano. Soma-se isso, o fato do uso de pesticidas em produtos que não são comestíveis como algodão, madeira e cana-de-açúcar quando destinada a produção de etanol.

4 – Comparativamente qual é o rendimento obtido por cada litro de defensivo no Brasil e nos demais produtores mundiais?

O Brasil produz 3.281kg de alimentos por cada litro de defensivo utilizado. O Brasil é muito mais eficiente quando comparado aos demais países que constantemente questionam a utilização de agroquímicos, conforme pode-se observar na figura.

5 – Por que, o Brasil ainda autoriza o uso de produtos que já foram banidos em outros países, como o carbofurano, o glifosato e a cihexatina, entre outros?

A Cihexatina e o Carbofurano já foram proibidos pela Anvisa, logo o produtor rural não os utiliza por nem serem comercializados no País. O Glifosato foi reavaliado pela Anvisa onde foi aprovado a manutenção de uso do mesmo. Vale ressaltar que esse mesmo produto foi recentemente avaliado pela autoridade Europeia e continua com autorização de uso no Bloco Europeu.

O Brasil não é um paraíso para produtos proibidos. Tem muita gente que fala sem conhecer esse mercado mundial. O Brasil é um grande exportador de alimentos. Não é interessante para a agricultura brasileira utilizar produtos proibidos em outros países, ou produtos que não tenha Limite Máximo de Resíduo – LMR estabelecido e vigente nos países importadores.

Pode ocorrer que um produto não seja comercializado em um determinado país, especialmente no Hemisfério Norte, por questões que nada tem a ver com a falta de segurança do produto, mas sim porque não é necessário naquele país.

Os produtos que já foram proibidos ou tiveram o uso restringido no Brasil podem ser verificados no link: http://portal.anvisa.gov.br/registros-e-autorizacoes/agrotoxicos/produtos/reavaliacao-de-agrotoxicos

6 – O uso desmedido de defensivos traz muitos malefícios? Qual a posição da CNA quanto a isso?

O primeiro maleficio do uso desmedido de defensivos ocorre no bolso do agricultor. Quanto mais ele gastar dinheiro utilizando esse insumo além do necessário, menor será a sua renda.

A CNA defende o uso adequado de qualquer insumo agrícola, na medida das recomendações técnicas e, no caso dos defensivos, somente quando for necessário para proteger as lavouras das pragas e das ervas daninhas. Inclusive, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural oferece capacitação para produtores e trabalhadores rurais em aplicação de defensivos, com o objetivo de tornar a prática cada vez mais responsável.

7 – Quais são as principais preocupações no que diz respeito a forma de utilizar os defensivos?

Respeitar as recomendações técnicas para uso, armazenamento e transporte é fundamental.

Defensivos Agrícolas são produtos aprovados para uso, mas exigem uma aplicação técnica adequada. O agricultor precisa cuidar de sua proteção e de seus funcionários, do meio ambiente em sua propriedade e dos consumidores. No caso da proteção aos consumidores, o agricultor precisa respeitar o prazo de carência após a aplicação para só assim vender sua produção. Fazendo isso o agricultor assim como os trabalhadores rurais estarão com a segurança garantida.

8 – De que forma o uso de defensivos de maneira responsável foi e é importante para a agricultura?

Os defensivos constituem ferramenta importante para proteger as lavouras das pragas e das ervas daninhas, e são fundamentais para garantir e melhorar a produção agrícola.

O uso de pesticidas como insumo garantidor da produção constitui uma prática mundial. Países como Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Holanda, que estão na vanguarda da inovação tecnológica, ainda utilizam esses produtos. Lá, igual aqui, a ciência ainda não apresentou uma alternativa disruptiva ao uso de defensivos na produção agrícola. Trata-se de um insumo que foi e ainda é importante para a produção agrícola mundial.

No Brasil, convive de forma harmônica a prática da agricultura convencional, agricultura convencional transgênica e orgânica. A agricultura pode ser praticada utilizando insumos químicos, transgênicos ou biológicos, para qualquer uma é fundamental seguir as boas práticas de produção.

9 – Quais são as dez moléculas de defensivos agrícolas mais vendidas no país?

Os herbicidas em geral, inclusive o glifosato, os fungicidas para a soja e inseticidas para a cana e algodão. O tamanho do mercado de um produto depende da quantidade de área ocupada pela cultura e da frequência e intensidade do ataque de pragas e infestação de ervas daninhas.

10 – Quantas empresas atuam nesse mercado no Brasil? E quantos produtos estão à disposição dos agricultores brasileiros?

O mercado é oligopolizado. Com a fusões que ocorreram, 3 empresas dominam a maior fatia de mercado. São muitos os produtos disponibilizados para os agricultores, salvo para os agricultores que trabalham com frutas e hortaliças.

11 – A CNA tem o faturamento das indústrias de defensivos agrícolas no Brasil nos últimos anos?

O mercado atual é de aproximadamente US$ 9,5 bilhões. É um grande mercado para as indústrias. Os produtos no Brasil não são baratos. No Mercosul diversos produtos que são produzidos no Brasil e exportados para países como Uruguai e Argentina, são vendidos com preços melhores para os agricultores daqueles países. Seria interessante para o agricultor brasileiro um acordo de livre comércio com os países do Mercosul.

12 – Na sua opinião, não se deveria buscar alternativas para reduzir o uso desses produtos, privilegiando-se, por exemplo, a agroecologia?

O uso de defensivos é uma prática real e necessária em todos os países que tem produção agrícola. A ciência e a tecnologia ainda não apresentaram aos agricultores do mundo uma alternativa técnica e economicamente viável de produzir em quantidade necessária e custo acessível sem o uso de pesticidas. Caso isso ocorra no futuro, quem sentirá o impacto disruptivo será a indústria e não o agricultor.

Cabe observar, e isso é importante, que o Poder Público Federal não elege um sistema de produção agrícola como sistema oficial. No Brasil, convive de forma harmônica a prática da agricultura convencional e orgânica.

Importante também ressaltar que qualquer proposta destinada a eleger um modelo de produção agrícola em detrimento dos demais deve ser objeto de debate exaustivo, responsável e transparente, com a participação do Poder Público, sociedade civil e produtores rurais, iniciando-se pela avaliação da viabilidade da proposta.

Qualquer atuação isolada praticada por qualquer órgão do Governo no sentido de dificultar ou depreciar as práticas necessárias à utilização de um modelo de produção, com o objetivo de promover, de forma velada, a adoção de modelo que considera mais adequado deve ser de pronto rechaçada, visto que tal prática, quando desprovida do debate necessário e sem o suporte de políticas públicas, flerta com a irresponsabilidade. Ações dessa natureza podem prejudicar a qualidade dos produtos, aumentar o preço dos alimentos e até inviabilizar a produção em quantidades suficientes.

Acesse o documento completo da CNA neste link: http://faes.org.br/legislacao (Faes)

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