Mesmo com boa exportação, café não gera renda ao produtor

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Foto: Divulgação

O setor de café produz bem, eleva as exportações, mas não gera renda. É o que mostra o cruzamento de dados de duas pesquisas divulgadas pelo Ministério da Agricultura nesta terça-feira (17): a de produção e de valor bruto da produção.

A produção brasileira deverá ficar em 49 milhões de sacas neste ano, 21% abaixo do registrado no ano passado, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

As lavouras deste ano, porém, estão na chamada bienalidade negativa, período em que a florada e a produção são tradicionalmente menores.

Se comparada a safra desde ano com a de 2017, também de bienalidade negativa, a colheita de 2019 vai superar em 9% a daquele ano.

O aumento de produção permite ao Brasil elevar a participação no mercado externo. Em 2018, foram exportados 35,6 milhões de sacas de café pelo país, com receitas de US$ 5,2 bilhões.

Neste ano, as vendas externas também estão aquecidas, somando 27 milhões de janeiro a agosto último. As receitas, no entanto, são de US$ 3,37 bilhões.

Comparando-se o volume total exportado e as receitas de 2018, em relação ao desempenho dos oito primeiros meses deste ano, os preços médios externos recuaram 14% por saca.

Esse cenário desfavorável do mercado externo reflete sobre os preços e renda dos produtores internos.

Uma das pesquisas divulgadas pelo Ministério da Agricultura nesta terça-feira aponta que o Valor Bruto da Produção do setor cafeeiro deverá recuar para R$ 19,5 bilhões neste ano, 25% menos do que em 2018.

Se confirmado, esse valor será o menor nos últimos cinco anos, ficando abaixo, inclusive, de períodos de safras bem inferiores à de 2019.

A perda de renda, contudo, não afeta apenas os produtores de café. José Gasques, do Ministério da Agricultura, aponta que o VBP total deste ano deverá subir para R$ 602 bilhões, 1,5% mais do que em 2018. Assim como o café, porém, outros setores de peso na agricultura, como os de cana e de soja, vão ter retração no valor da produção, devido a preços menores dos produtos.

Nos cálculos de Gasques, o VBP da líder soja recuará para R$ 129 bilhões neste ano, após ter atingido R$ 148 bilhões no ano passado.

As lavouras, de uma forma geral, não vão bem. Devem somar R$ 395 bilhões, com queda de 1%. Já a pecuária dá sustentação ao VBP total do país, crescendo 6,5% e atingindo R$ 207 bilhões no ano.

Um dos principais suportes da renda no campo neste ano tem sido o algodão. Há três anos, produção e preços do produto geravam R$ 14 bilhões. Neste ano, deverão atingir R$ 40 bilhões.

Etanol As pesquisa de preços do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) voltou a registrar alta no etanol hidratado em Paulínia (SP).

Etanol 2 O indicador do Cepea, que serve de base para o contrato futuro da B3, fechou o dia com preços de R$ 1,809 por litro. Esse valor supera em 3,3% o da última sexta-feira (13), antes do atentado a refinarias da Arábia Sauditas.

Agrotóxicos Ao atingir a marca de 325 liberações neste ano, o governo de Jair Bolsonaro soma 1,3 liberação por dia, se igualando ao recorde de Michel Temer em 2018. (Portos e Navios)

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