Falta de mão de obra e floradas diversas atrasam colheita do conilon no Norte do Espírito Santo

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Foto: Divulgação

A pandemia atrapalhou a contratação de trabalhadores de outras regiões e o clima proporcionou muito abortamento floral

A escassez de mão de obra e a falta de uniformidade na maturação dos grãos atrasou a colheita do conilon no Espírito Santo. A estimativa é de se tenha colhido, até o momento, pouco mais de 80% dos grãos. “Nesta safra, ocorreram muitas floradas e, devido às condições climáticas adversas no período, houve muito abortamento floral, que ocasionou uma menor proporção de frutos por roseta e consequentemente, por plantas. As várias floradas proporcionaram uma maturação sem uniformidade dos frutos, prejudicando muito o início da colheita”, explicou o engenheiro agrônomo da Cooabriel, José Roberto Gonçalves, ressaltando ainda o ataque da lagartinha e cochonilha da roseta, que levou a significativas perdas de frutos em algumas lavouras.

Segundo o último boletim de acompanhamento da safra brasileira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Espírito Santo, maior produtor de conilon do Brasil, produz cerca de 67% do volume total da variedade do país. Assim, as variações que ocorrem no Estado influenciam a média nacional.

Outra dificuldade que não estava prevista foi a falta de mão de obra de trabalhadores que saiam de outras regiões para o Espírito Santo. “Devido ao atraso na maturação e por receio à pandemia do coronavírus, muitos trabalhadores de fora, que comumente vem para a colheita, não vieram nesta safra”, afirmou o gerente corporativo de comercialização da Cooabriel, Edimilson Calegari.

O sócio da Cooabriel, Élio Bayer, administra, em parceria com o irmão Wanderley Bayer, propriedades em São Gabriel da Palha e Boa Esperança. Segundo Wanderley, foram muitas floradas durante a safra, o que resultou na maturação desigual. Ele corrobora com a observação de Calegari e diz que está difícil encontrar mão de obra para a lavoura.

“Muitos trabalhadores de outros Estados, como Minas Gerais, Bahia e Alagoas, alegaram que não queriam se arriscar, principalmente por conta das barreiras sanitárias formadas durante a pandemia. O medo era de perder a viagem, já que a distância é longa”, disse.

Segundo ele, a previsão é de queda na produção das lavouras da família, mesmo com o aumento de áreas produtivas. “Para a próxima safra precisamos de chuva, mas não há previsão pelos próximos 15 dias”, afirmou.

Segundo o coordenador técnico da Cooabriel, o engenheiro agrônomo, Perseu Fernando Perdoná, a produção está irregular em toda região. “Os resultados de colheita vêm sendo uma surpresa na maioria das regiões de atuação da Cooabriel, com quebra de produção no campo e no rendimento de café maduro para pilado. Isso representa a influência direta da falta de uniformidade das floradas e, consequentemente, da maturação dos frutos. A realidade da safra só será conhecida no final da colheita”, ressalta.

De acordo com o gerente de armazéns da Cooabriel, José Carlos de Azevedo, já foram recebidos mais de 1,3 milhão de sacas pela cooperativa. “A qualidade dos grãos está dentro do esperado, porém há uma possibilidade de queda na recepção, algo que não estava previsto. Mas ainda é cedo para afirmar”, ponderou.

Em relação à Bahia, o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello, explica que a colheita está mais adiantada, em cerca de 90%. “Em todas as áreas de atuação da Cooabriel, na Bahia e no Espírito Santo, a qualidade está dentro do esperado. De um modo geral, há uma possibilidade de queda na produção entre 10% a 15%. Esse percentual só será confirmado no final de agosto”, finaliza. (Comunicação Cooabriel)

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