Alta do dólar aumenta lucro para exportadores de mamão do ES

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Foto: Divulgação

O dólar fechou o mês de novembro em alta, com recorde nominal de cotação chegando a R$ 4,27 durante o pregão do último dia 26. Diante da supervalorização, exportadores capixabas estão otimistas com o balanço financeiro deste ano e de olho no faturamento de 2020.

Considerada a capital estadual do agronegócio, o município de Linhares, na região Norte do Espírito Santo, se evidencia na exportação de vários produtos, com destaque para o mamão.

Quem atua nesse setor explica que as mudanças na moeda norte-americana beneficiam a classe, mas nem sempre são sinônimo de maior lucratividade.

“Quando se fala em exportação estamos nos referindo a um programa que, independente das variações do mercado interno, já tem sua margem estabelecida. A maior dificuldade do setor, de fato, é ter uma fruta de qualidade e livre de resíduos as 52 semanas do ano. Quando o clima tem os extremos de temperatura, a chuva dificulta muito cumprir com as obrigações”. Bruno Pessoti Diretor da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex)

Segundo Pessoti, a valorização da moeda estrangeira é uma oportunidade para quem quer começar a exportar a produção. “A alta do dólar não deixa de ser um atrativo para as empresas iniciarem a comercialização internacional. O papaya é uma fruta exótica e temos muito a crescer no mercado mundial.

Com o programa de exportação, as empresas conseguem manter o mesmo preço paras os produtores o ano todo, não tendo as oscilações do mercado interno”, explica. Neste ano, segundo ele, a fruta foi bem valorizada no mercado brasileiro, com um dos maiores preços nas últimas duas décadas. “O ano de 2019 será razoável, pois no primeiro semestre tivemos 90 dias de preços muito altos no mercado interno, pra te falar a verdade, o maior nos últimos 20 anos”, afirma.

Preço interno interfere

Emerson Adami, diretor da Doce Fruit, exporta a fruta para os Estados Unidos e a Europa. Para ele, o aumento na moeda é vantajoso, já que as vendas fechadas há 60 dias serão recebidas no valor da cotação atual. “Olhando rapidamente, a balança comercial vai fechar o que a gente exportou há cerca de dois meses, que é mais ou menos o prazo que estamos vendendo lá fora. No entanto, daqui a dois meses não sabemos como vai estar a moeda”, ressalta.

O processo de compra e venda dos produtos, segundo ele, é longo e depende exclusivamente da qualidade da safra. Entretanto, o preço do mercado interno oscila durante o ano e acaba interferindo na cotação internacional. “O preço do produto depende muito do mercado interno. Muitas vezes pegamos a fruta com um preço superior que resulta em prejuízo para a gente exportar. Porém, quando o mamão está mais acessível, se torna melhor para vender no exterior”, reforça.

Neste ano, serão mais de 2 milhões de quilos da fruta vendidos no exterior apenas pela empresa do Emerson. Segundo ele, a expectativa para 2020 é boa, mas há incertezas. “A expectativa para 2020 é boa, ainda mais com essa tendência de alta no dólar, mas para o mercado interno é sempre uma incógnita, a gente nunca sabe como vai ser.”

Lucro para produtores

Se os exportadores conseguem lucrar mais com o aumento da moeda norte-americana, a valorização é boa também para os produtores locais. São eles os responsáveis pela produção e qualidade da fruta que será vendida no exterior.

Paulo Roberto Bruneli é produtor de mamão e compartilha os benefícios de vender para as exportadoras. “A vantagem para nós é que eles (os exportadores) já lançam um preço muito melhor do que vendemos aqui. Eles nos dão uma garantia de preço mínimo que é bem acima do valor pago no mercado interno”, comenta.

Cautela com o mercado

De acordo com dados do Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, de janeiro a novembro de 2019 o Espírito Santo movimentou mais de US$ 8 bilhões em exportações de diversos produtos. Um aumento de 2,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. Apenas com a exportação de mamão, foram US$ 18 milhões.

A economista e consultora financeira Melissa Modeneze explica que, para entender o sobe e desce do dólar e como ele influencia as exportações, é preciso analisar vários fatores. “Com o dólar alto, ganha mais quem recebe pagamentos em dólar, e perde quem tem custos a pagar na moeda americana. Para os exportadores capixabas é muito interessante que a alta do dólar seja mais prolongada para que o aumento renda mais negócios e mais produtos vendidos no exterior. Neste cenário, os produtos brasileiros ficam extremamente competitivos no mercado exterior, visto que a mercadoria chega em custo/dólar menor, proporcionando uma demanda interessante ao produtos brasileiros”, esclarece.

No entanto, segundo a economista, o aumento é bom para um lado, mas não tão vantajoso para outro. “Para os exportadores capixabas que possuem insumos cotados em dólar, é preciso avaliar tecnicamente o preço do produto final para que a lucratividade seja a realmente desejada. Já para o mercado interno, alguns produtos de consumo que são impactados pela alta do dólar tendem a aumentar, tais como combustível, trigo, eletrônicos, alguns itens da cesta de Natal, entre outros”, ressalta.

Para 2020, Melissa reforça que será necessário maior cautela, principalmente por conta dos cenários incertos no exterior. “Conforme as projeções do Banco Central, a previsão é o dólar ficar a cerca de R$ 4,00, porém, vale aguardarmos alguns cenários se concretizarem na política internacional, tais como as eleições nos EUA, mercado europeu e investimentos prometidos ao Brasil”, conclui. (Gazeta Online)

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