Escaldadura em cafeeiros ocorre em larga escala neste ano

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Foto: Cafeicultor Giovanni Sossai, de Jaguaré (ES)

Neste ano tem sido geral a ocorrência de escaldadura em cafeeiros, pois em janeiro apresentou pouca chuva que, em combinação com altas temperaturas, provoca o amarelecimento e a queima de folhas e frutos dos cafeeiros. Essa queima acontece sob duas formas: a clorose, provocada pela degradação da clorofila; e a necrose, devido à morte dos tecidos. A escaldadura ocorre quando a planta absorve uma grande quantidade de energia do sol e não consegue dissipá-la, ocorrendo um dano oxidativo. Deste modo, as regiões mais quentes, em altitudes mais baixas, faz com que a face dos cafeeiros voltada para o sol da tarde sejam as mais afetadas pela escaldadura.

Uma observação nova é a de que a escaldadura vem ocorrendo principalmente nas lavouras quadráticas, com capação e variedades de porte baixo, sendo que cafeeiros de variedades sem achatamento da sua estrutura de copa parecem apresentar menos problemas. Também, lavouras com mais carga apresentam mais escaldadura, se explicando pela menor disponibilidade de reservas na folhagem, ficando os cloroplastos mais sensíveis. As lavouras com caminhamento do sol leste-oeste são menos atingidas pelo sol escaldante. Os galhos que tombam são fortemente atingidos pela escaldadura.

Amarelecimento e queima da folhagem em cafeeiro conilon por insolação e alta temperatura = escaldadura. Jaguaré (ES). Jan/19. Foto: Cafeicultor Giovanni Sossai

Os efeitos da escaldadura se traduzem na redução da área fotossintética da folhagem e no prejuízo direto, pelo chochamento e queima de frutos, com prejuízos visíveis para a safra atual e, também, para a próxima safra, já que a queima da folhagem provoca redução no crescimento da parte nova do ramo, chegando até a provocar a seca dos ponteiros.

Para minimizar a ocorrência da escaldadura existem práticas como a própria irrigação, a qual, fornecendo água à planta, vai dar condições para um melhor resfriamento dos tecidos. A arborização da lavoura, reduzindo a insolação sobre os cafeeiros, é muito eficiente na diminuição da escaldadura, porém, é uma prática difícil de ser adotada. O plantio direcionado reduz a escaldadura, pois evita a incidência do sol da tarde, de forma direta de um lado da linha de cafeeiros.

O uso de maiores doses de nitrogênio na adubação, assim como aplicações foliares de cobre, tem reduzido a escaldadura. No mesmo objetivo, o uso de açúcar e de produtos com cristais, os quais refletem os raios solares, tendem a diminuir a escaldadura. Produtos fungicidas do grupo das estrobilurinas, especialmente a piraclostrobina, também reduzem a temperatura foliar. Ultimamente também tem aparecido no mercado protetores solares, como o Sombryt, o Protex, o Chapeu, o Bonder e o Surround, uma formulação à base de caolim finamente moído especial. Eles podem reduzir em torno de 5 graus a temperatura nos tecidos foliares.

Por José Braz Matiello – Eng. Agrônomo da Fundação Procafé e Salvio Gonçalves – Eng. Agrônomo e Consultor em cafeicultura

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