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23.02.2011 - 14:20

Cochonilha da roseta no café conilon: reconhecimento e controle

Cochonilha é o nome comum usado para designar um conjunto de insetos que possuem hábitos semelhantes quando nos referimos ao seu modo de alimentação e ao ciclo de vida, mas que podem diferir no local em que se abrigam ou atacam a planta do cafeeiro. As que se alojam na roseta são um grupo dentro de um conjunto maior, do qual falaremos brevemente, e daremos mais a frente maiores detalhes sobre essas conhecidas como “cochonilha da roseta”.

Cochonilhas do cafeeiro

Coccus viridis: de coloração verde, fixam-se nos ramos novos e folhas, notadamente na nervura principal, com intensidade maior de ataque nas plantas novas, em viveiros e até o primeiro ano de plantio, onde a sua presença é facilmente constatada por estar geralmente associada a formigas. Ocorre com mais frequencia nos meses de novembro a janeiro, nas épocas de chuva e em terrenos sombreados. É uma importante praga em viveiros para produção de mudas.

Saissetia coffeae: de coloração avermelhada a marrom. Vivem nos ramos e folhas do cafeeiro. Os ovos colocados sob a própria carapaça; após a eclosão as larvas saem e fixam-se em outro ponto nas plantas, e passam a sugar seiva.

Cerococcus catenarius: semelhantes à espécie anterior, a postura também é feita sob a carapaça. As larvas fixam-se em fendas de casca e cada fêmea pode colocar até 800 ovos.

Dysmicoccus texensis: as fêmeas têm o corpo oval e coloração rosada, recoberto com cerosidade branca, com 2,5 mm de comprimento. A infestação inicial ocorre logo abaixo do colo das plantas novas, em pequenas colônias, e depois se espalha atacando as raízes da planta, formando nodosidades com aspecto de cortiça envolvendo as raízes.

Pinnaspis aspidistrae: cochonilha de aspecto pulverulento branco, vivem em colônias nos galhos e folhas.

Orthezia praelonga: a fêmea possui o corpo recoberto por placas de cera branca. Possui uma projeção cerosa, o ovissaco, onde se alojam ovos e ninfas na parte de trás do corpo. É comum sua ocorrência em períodos secos e frios em anos secos.

Cochonilha da roseta

Planococcus citri e P. minor: são as espécies mais comuns de um complexo conhecido como “cochonilha da roseta do café conilon”. As fêmeas são ovais, com 3-5 mm de comprimento, coloração rosada quando jovens e castanho-amarelada  quando adultas. Apresentam dezoito apêndices cerosos de cada lado do corpo, de coloração branca pulverulenta, e mais dois apêndices terminais maiores. Os ovos (até 400/fêmea) são amarelo-alaranjados e, as ninfas surgem após 10-20 dias da postura; que passam a adulto em cerca de 10 dias. Vivem em colônias com indivíduos em vários estágios de desenvolvimento. As ninfas e adultos sugam seiva de botões florais e frutos em desenvolvimento. O ciclo evolutivo completo é de 25 dias, em média. 
 
                                                        Prejuízos

As cochonilhas são insetos sugadores e causam prejuízos diretos pela sucção de seiva, enfraquecendo a planta. Prejuízos indiretos são causados pela injeção de toxinas ao se alimentarem e pelo desenvolvimento da fumagina, fungo  escuro que recobre a folhagem se desenvolver sobre a excreção das cochonilhas, prejudicando a fotossíntese e a respiração da planta, principalmente nos viveiros. As cochonilhas verdes retardam o crescimento das mudas no viveiro e recém-plantadas no campo.

A cochonilha da raiz causa o definhamento das plantas, com amarelecimento e queda quase total das folhas, podendo ser necessário o replantio da área afetada. Seu reconhecimento é feito ao se escavar o solo ao redor do colo da planta e verificando-se a presença de colônias de coloração branca, em infestações recentes, ou a presença de nodosidades envolvendo as raízes, em colônias instaladas há mais tempo. As raízes principais ficam recobertas por um envoltório coriáceo, semelhante à cortiça, inicialmente de coloração amarelada e, depois marrom-escura, causado por um fungo que se desenvolve na substância açucarada que é a excreção cochonilhas, formando criptas ou pipocas, em cujo interior se alojam as cochonilhas.

A cochonilha da roseta pode causar prejuízos diretos à produtividade do conilon quando o ataque ocorre antes ou logo após a florada, pois afeta diretamente os botões florais e frutos em formação, ocasionando acentuada queda dos mesmos. Destaque-se o fato de que os prejuízos diminuem à medida que os frutos se desenvolvem, pois frutos maiores são mais resistentes à queda provocada pela cochonilha.

Controle

Controle Cultural: Observar se há a presença de cochonilhas em mudas, refugando aquelas que apresentam infestação da praga.

Controle Biológico: Diversos agentes naturais atuam no controle das cochonilhas, como dois pequenos besouros (joaninhas), Azya luteipes e Pentilea egena, além de fungos entomopatogênicos dos gêneros Cephalosporium e Acrostalagmus.

Controle Químico: O controle da cochonilha da raiz é feito com aplicação de inseticidas quando da constatação das primeiras infestações, de forma localizada nas reboleiras.

Experimentos realizados para o controle da cochonilha da roseta indicam que, se detectada alta infestação antes ou logo após a florada, é necessária a utilização de alto volume de calda (superior a 1.000 litros/ha) e o uso de produtos químicos adequados. Em plantios com os clones em linha, recomenda-se a observação da incidência das cochonilhas por clones, evitando-se a aplicação em toda a área. Não se indica o controle químico preventivo, pela inconstância do aparecimento da cochonilha nas lavouras. Produtos aplicados no solo não apresentam eficiência no controle da praga. Não existem ainda produtos químicos registrados na cultura do café para o controle das espécies de cochonilhas da roseta, mas os testes realizados com produtos que tenham como princípio ativo o clorpirifós, que tem registro para a cultura no controle de outras pragas, mostraram boa eficiência quando corretamente aplicados.

Artigo publicado na 30ª edição (Fev/Mar 2011) da revista ProCampo
Por César José Fanton
Pesquisador do Incaper - Doutor em Entomologia
fanton@incaper.es.gov.br


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